ANO
NOVO VIDA NOVA
2020 tinha tudo para dar
certo. Havia muitos projetos e uma grande esperança de que seria possível a sua
realização. Mas no domingo 5 de janeiro parou tudo. A mãe sentiu-se mal e deu
uma queda que só por muita sorte não lhe foi fatal. A correria para o hospital
de Leiria foi complicada, mas a esperança estava lá. O dia foi passado na sala
de espera das urgências, e passadas 12 horas, veio a notícia de que a mãe teria
que seguir para o hospital de Coimbra. Não estava preparada para isto. Tive que
avisar a família, não sabia o que iria acontecer. Toda a noite sem dormir
esperando ansiosamente as 7 da manhã para poder telefonar para o hospital, para
saber se estaria tudo bem.
Sim estava tudo a correr normalmente apesar das
circunstâncias e tanto quanto os seus 93 anos permitiam.
No dia seguinte pelas 15H a
mãe teve alta do hospital de Coimbra, mas só chegou a Leiria pelas 22H. As
urgências de Leiria estavam um caos, por causa das gripes. A mãe, não podia
ficar ali, e veio para casa.
As minhas rotinas foram
alteradas em função do seu bem estar em casa. O apoio da família foi muito
importante num dos momentos mais complicados da minha vida. Veio também o Jorge
e a Marta. Os netos são sempre uma bênção para os avós.
A Marta não esteve cá
no Natal de 2019. Foi o segundo natal em que se sentiu muito a sua falta. O
primeiro, por uma boa causa. Estava grávida da Alice. O segundo por uma questão
de trabalho. Estava a começar uma nova etapa da sua vida como empresária, mas
viria na Páscoa. E a esperança renascia.
Desde a minha adolescência
que gosto de escrever o meu diário. Coisas sem importância mas gosto, mesmo que
depois os meus escritos sigam sempre o mesmo destino: o caixote do lixo. Talvez
o diário de 2020 venha a ter uma vida mais longa.
Leiria 1 de março 2020
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