segunda-feira, 25 de maio de 2020

Continuando a reflectir sobre a pandemia


Já não se vêm roupas estendidas nas varandas, já são menos as idas ao ecoponto despejar os papeis…Os primeiros dias de confinamento passaram relativamente depressa para aqueles que se lembraram de fazer grandes limpezas em casa e arrumação de gavetas. Da minha janela apreciava aquele frenesim, de “vamos lá destralhar” a casa. A mim não me apetecia. Tinha uns trabalhos começados de artes e costura, e dediquei-me a acabá-los.
-Isto não serve para nada! Pensava eu, mas se a COVID me apanha também não quero deixar isto aqui por acabar.
 Há muito que penso, ter tudo mais ou menos organizado, para quando tiver que partir para a tal viagem sem regresso, não deixar muito trabalho para os filhos… Mas nunca consegui.. Tenho sempre coisas a mais, em casa.

Estamos no segundo período de emergência decretado pelo Presidente da República, e que vai até 17 de abril.
Vem aí a Páscoa! Mas qual Páscoa? As famílias não se podem reunir. É proibido circular para fora do concelho de residência. As igrejas estão fechadas!
Sou católica, sou crente, mas não sou de ir à missa todos os domingos. Vou quando me apetece e quando sinto necessidade de me recolher e meditar. Em homenagem ao sofrimento de Cristo, gosto de participar nas cerimónias da Sexta Feira Santa.
Vai ter que ser pela televisão.
Assim foi, e aquela imagem do Papa Francisco rezando virado para a Praça de S. Pedro vazia vai ficar para sempre na minha memória.

Não é justo, morre-se demais em todo o mundo e na Europa, sobretudo na Italia, França e Espanha, os números de mortes sobem todos os dias e no meio de tantos anónimos, a 14 de abril morre Maria Santos, vítima do vírus, ironia do destino, uma cientista portuguesa, imunologista, que tanto estudou no combate contra as doenças infeciosas.
A 16de abril morre Luís Sepúlveda, escritor, também ele, o homem que nos fazia sonhar através dos seus livros, partiu, cedo de mais. E talvez porque a vida é um corre corre desenfreado, assim, num abrir e fechar de olhos morre também o ator Filipe Duarte, aos quarenta e poucos anos de idade, vitima de ataque cardíaco. Jovem e talentoso, o seu coração desistiu de bater. Não é justo. 

Leiria 19 de abril 2020 

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